Cattleya Walkeriana
Cattleya Walkeriana
Trato é trato... ou do cachepot à panela
A Cattleya Walkeriana, planta nativa do Brasil foi descrita pela primeira vez por George Gardner, botânico e naturalista inglês em 1839, nas matas próximas ao rio São Francisco e tem seu cultivo muito difundido. Por ter uma distribuição vasta no país, dá a impressão errônea de que seu cultivo seja fácil. Muitos orquidófilos experientes já se “encravaram” com uma muda desta planta coletada na natureza ou adquirida em orquidários comerciais. Ela fica ali, na casca ou toco, por anos seguidos, só vegetando, sem emitir um botão sequer.
Pois bem, há tempos, conheci um camarada, que se dizia orquidófilo. Este tinha de tudo um pouco. Cattleya, Laelia, híbridos, então, um monte. Das naturais às estrangeiras, era um desfile só. Era de muito estudo e dedicação. Participava das conversas, sem ser chato e a todos ajudava e encantava com suas ideias orquidófilas.
E não é que o cara tinha lá no seu plantel, bem uma dúzia de Walkerianas, naquele estado questionável de desenvolvimento? Já tinha mudado substrato, lado de sol, irrigação e adubação, e nada. Nem uma florzinha sequer. Pseudobulbo, só com folhas. Nem mesmo um falso para simular e deixar o companheiro na ilusão.
Aquilo deixava nosso companheiro orquidófilo fervendo de raiva. Nas rodas de amigos, exposições, quando lhe perguntavam sobre as Walkerianas, ele desconversava, era como se estivesse passando mal. Uma vez, conversando com um afamado benzedor, pediu arrego. O moço visitou o seu plantel e benzeu, mas as suas meninas, nada, só frustração.
Passado mais um tempo, endoidou de vez. Se trato, luz, adubo e benzeção não resolvia, fez promessa. Só que não foi para Santo Expedito, - do qual sou devoto. Chegou ao orquidário, bem no canto reservado àquelas meninas teimosas e falou em alto e bom som: se vocês não florescerem no prazo de um ano, vou fazer um cozido de vocês e comer com angu.
Rapaz, e não é que deu resultado? Findo o prazo, ele pôde finalmente desfrutar de uma bela floração de suas amadas Walkerianas.
Deixando as parolas de lado, a distribuição das Walkerianas por todo território brasileiro, tão vasto e de múltiplos micro-climas impõe ao cultivador desta planta situações e cuidados vários e não raro, toma-se uma surra das roxinhas. Há controvérsia, mas dizem que não gostam de xaxim. Se dão muito bem em cascas de peroba, cedro, ou candeia, inclinadas de um certo grau para retenção de umidade. Se em vasos, preferem os de barro bem abertos e rasos ou mesmo cachepot de madeira. Aí podem ser instaladas com raízes nuas ou com algum substrato.
Minha experiência com Walkerianas me levou ao cultivo em cascas de peroba instaladas em cachepot de madeira parcialmente preenchidos com a mistura de casca de pinus, carvão, fibra de coco, flocos de isopor e brita. A adubação é química convencional e as plantas passam por leve estresse hídrico a partir do mês de janeiro, quando as regas são diminuídas, mas a umidade do ar no orquidário é mantida.
Quanto à qualidade das flores, costuma-se decepcionar, uma vez que plantas de boa forma na natureza está difícil e a coleta – mesmo das ruins, é proibido. Já nos orquidários comerciais os cortes são relativamente caros (R$300,00 a R$400,00 por bulbo), pois os resultados de cruzamentos não apresentam um índice de melhoramento satisfatório. Ou seja, nos cruzamentos, as sementeiras produzem, no geral, 95% das plantas piores que as matrizes.
Portanto, tenha você uma “contorcionista” ou uma “feiticeira”, atente-se para os seus sinais de desenvolvimento ou apele para a promessa. Porque gosto que me enrosco, ainda mais com angu.
A Cattleya Walkeriana, planta nativa do Brasil foi descrita pela primeira vez por George Gardner, botânico e naturalista inglês em 1839, nas matas próximas ao rio São Francisco e tem seu cultivo muito difundido. Por ter uma distribuição vasta no país, dá a impressão errônea de que seu cultivo seja fácil. Muitos orquidófilos experientes já se “encravaram” com uma muda desta planta coletada na natureza ou adquirida em orquidários comerciais. Ela fica ali, na casca ou toco, por anos seguidos, só vegetando, sem emitir um botão sequer.
Pois bem, há tempos, conheci um camarada, que se dizia orquidófilo. Este tinha de tudo um pouco. Cattleya, Laelia, híbridos, então, um monte. Das naturais às estrangeiras, era um desfile só. Era de muito estudo e dedicação. Participava das conversas, sem ser chato e a todos ajudava e encantava com suas ideias orquidófilas.
E não é que o cara tinha lá no seu plantel, bem uma dúzia de Walkerianas, naquele estado questionável de desenvolvimento? Já tinha mudado substrato, lado de sol, irrigação e adubação, e nada. Nem uma florzinha sequer. Pseudobulbo, só com folhas. Nem mesmo um falso para simular e deixar o companheiro na ilusão.
Aquilo deixava nosso companheiro orquidófilo fervendo de raiva. Nas rodas de amigos, exposições, quando lhe perguntavam sobre as Walkerianas, ele desconversava, era como se estivesse passando mal. Uma vez, conversando com um afamado benzedor, pediu arrego. O moço visitou o seu plantel e benzeu, mas as suas meninas, nada, só frustração.
Passado mais um tempo, endoidou de vez. Se trato, luz, adubo e benzeção não resolvia, fez promessa. Só que não foi para Santo Expedito, - do qual sou devoto. Chegou ao orquidário, bem no canto reservado àquelas meninas teimosas e falou em alto e bom som: se vocês não florescerem no prazo de um ano, vou fazer um cozido de vocês e comer com angu.
Rapaz, e não é que deu resultado? Findo o prazo, ele pôde finalmente desfrutar de uma bela floração de suas amadas Walkerianas.
Deixando as parolas de lado, a distribuição das Walkerianas por todo território brasileiro, tão vasto e de múltiplos micro-climas impõe ao cultivador desta planta situações e cuidados vários e não raro, toma-se uma surra das roxinhas. Há controvérsia, mas dizem que não gostam de xaxim. Se dão muito bem em cascas de peroba, cedro, ou candeia, inclinadas de um certo grau para retenção de umidade. Se em vasos, preferem os de barro bem abertos e rasos ou mesmo cachepot de madeira. Aí podem ser instaladas com raízes nuas ou com algum substrato.
Minha experiência com Walkerianas me levou ao cultivo em cascas de peroba instaladas em cachepot de madeira parcialmente preenchidos com a mistura de casca de pinus, carvão, fibra de coco, flocos de isopor e brita. A adubação é química convencional e as plantas passam por leve estresse hídrico a partir do mês de janeiro, quando as regas são diminuídas, mas a umidade do ar no orquidário é mantida.
Quanto à qualidade das flores, costuma-se decepcionar, uma vez que plantas de boa forma na natureza está difícil e a coleta – mesmo das ruins, é proibido. Já nos orquidários comerciais os cortes são relativamente caros (R$300,00 a R$400,00 por bulbo), pois os resultados de cruzamentos não apresentam um índice de melhoramento satisfatório. Ou seja, nos cruzamentos, as sementeiras produzem, no geral, 95% das plantas piores que as matrizes.
Portanto, tenha você uma “contorcionista” ou uma “feiticeira”, atente-se para os seus sinais de desenvolvimento ou apele para a promessa. Porque gosto que me enrosco, ainda mais com angu.
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Por: José Leônidas da Silva Junior




















