De caminhadas perdidas a achados inusitados
De caminhadas perdidas a achados inusitados
Esta é uma história que pode acontecer a qualquer um, simples curioso orquidófilo ou mesmo experiente pesquisador. Como todos sabem, os campos rupestres ao redor de Diamantina são ricos em várias espécies de orquídeas, plantas estas que quando em estado vegetativo passam despercebidas aos olhos poucos treinados.Muitos de nossos companheiros já se aventuraram por estes campos em caminhadas exaustivas e de repente depararam com esplendidas touceiras em flor, onde era possível escolher o melhor exemplar, coletá-lo e voltar para casa com o troféu, para dele, cuidar com todo carinho.
Esta prática se repetiu desde a colonização e garantiu na maioria das vezes, a perpetuação de muitas espécies vegetais, bem como a difusão do cultivo de orquídeas e a disponibilização de plantas aos laboratórios de pesquisa e propagação. Hoje, apesar do quadro de destruição contínua do meio natural, esta prática tornou-se impossível e imperdoável até. Os órgãos de proteção ambientais inibem as coletas de exemplares, contudo, não conseguem na sua totalidade a proteção dos campos e matas de queimadas e o avanço desenfreado da urbanização, o que tem propiciado a degradação de vários nichos por pseudo-naturistas.
Pois bem, em cumprimento às leis de proteção ambientais, caminhamos por campos, matas e serras, apreciamos a beleza de nossas plantas, mas não realizamos coletas, a não ser pelo estrito interesse da ciência. Em função deste interesse, saímos três companheiros (Euler, Anderson e Leônidas) em busca de uma planta possivelmente não identificada, para um registro fotográfico de melhor resolução e coleta de uma exsicata para envio a um taxonomista experiente que pudesse proceder a devida identificação e registro. Esta empreitada tornou-se momentaneamente frustrada, uma vez que a planta em questão, naquele dia, não apresentava floração.
Resolvemos então, esticar as pernas por uma estrada de terra para outro
local não muito distante dali, na tentativa de encontrarmos outras plantas que nesta época, sabíamos estar em floração naquela região. Caminhamos descontraidamente por cerca de duas horas, apreciando a paisagem, registrando plantas - encontramos a Koellensteinia tricolor florida bem à beira do caminho - e discutindo sobre cultivo de orquídeas. Chegamos sem nos cansarmos à beira de um riacho, onde nos sentamos e lanchamos.
Depois de algum tempo ali, voltamos pelo mesmo caminho reparando com mais
atenção a vegetação ao redor. Eis que de repente, um pouco mais afastado da trilha os olhos aguçados do companheiro Anderson viu algo que lhe despertou interesse. Adentrando o campo, local brejado, encontramos inúmeras touceiras de Bletia catenulata, Cyrtopodium paludicolum, Epistephium schlerophyllum, Habenarias, Cleistes paranaensis juntamente a Phragmipedium vittatum. Percorremos todo o campo fazendo fotos e nos maravilhando com o inusitado paraíso orquidófilo, mas sendo exemplarmente punidos pela invasão com várias picadas de mutucas.
Picados, mas felizes pelo achado, regressamos às nossas casas, com expectativas de em breve fazermos mais uma incursão ao campo.
Esta prática se repetiu desde a colonização e garantiu na maioria das vezes, a perpetuação de muitas espécies vegetais, bem como a difusão do cultivo de orquídeas e a disponibilização de plantas aos laboratórios de pesquisa e propagação. Hoje, apesar do quadro de destruição contínua do meio natural, esta prática tornou-se impossível e imperdoável até. Os órgãos de proteção ambientais inibem as coletas de exemplares, contudo, não conseguem na sua totalidade a proteção dos campos e matas de queimadas e o avanço desenfreado da urbanização, o que tem propiciado a degradação de vários nichos por pseudo-naturistas.
Pois bem, em cumprimento às leis de proteção ambientais, caminhamos por campos, matas e serras, apreciamos a beleza de nossas plantas, mas não realizamos coletas, a não ser pelo estrito interesse da ciência. Em função deste interesse, saímos três companheiros (Euler, Anderson e Leônidas) em busca de uma planta possivelmente não identificada, para um registro fotográfico de melhor resolução e coleta de uma exsicata para envio a um taxonomista experiente que pudesse proceder a devida identificação e registro. Esta empreitada tornou-se momentaneamente frustrada, uma vez que a planta em questão, naquele dia, não apresentava floração.
Resolvemos então, esticar as pernas por uma estrada de terra para outro
local não muito distante dali, na tentativa de encontrarmos outras plantas que nesta época, sabíamos estar em floração naquela região. Caminhamos descontraidamente por cerca de duas horas, apreciando a paisagem, registrando plantas - encontramos a Koellensteinia tricolor florida bem à beira do caminho - e discutindo sobre cultivo de orquídeas. Chegamos sem nos cansarmos à beira de um riacho, onde nos sentamos e lanchamos.Depois de algum tempo ali, voltamos pelo mesmo caminho reparando com mais
atenção a vegetação ao redor. Eis que de repente, um pouco mais afastado da trilha os olhos aguçados do companheiro Anderson viu algo que lhe despertou interesse. Adentrando o campo, local brejado, encontramos inúmeras touceiras de Bletia catenulata, Cyrtopodium paludicolum, Epistephium schlerophyllum, Habenarias, Cleistes paranaensis juntamente a Phragmipedium vittatum. Percorremos todo o campo fazendo fotos e nos maravilhando com o inusitado paraíso orquidófilo, mas sendo exemplarmente punidos pela invasão com várias picadas de mutucas. Picados, mas felizes pelo achado, regressamos às nossas casas, com expectativas de em breve fazermos mais uma incursão ao campo.
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Texto e Fotos: José Leônidas

























